Licenças médicas tiraram 6.738 PMs das ruas de Alagoas; governo considera número `preocupante´


O alto número de licenças médicas concedidas a policiais militares de Alagoas está preocupando o governo do Estado. Segundo relatório produzido pela Secretaria de Estado da Defesa Social, foram 6.738 licenças médicas concedidas em 2010. A maior preocupação é que 42% das licenças longas, com pelo menos um mês de duração, são provenientes de problemas psiquiátricos, como o estresse e a depressão.

A corporação tem 8.025 homens, sendo 605 ainda em formação na academia militar, e que só devem ser incorporados às ruas no próximo mês. Segundo a PM, quando um profissional está de licença médica, nenhum outro é convocado para assumir o seu posto, que fica desguarnecido.

A PM alega que cerca de 5.000 dessas licenças concedidas em 2010 foram de curto prazo, e duram até 48 horas. Mas reconhece que o número de militares com problemas crônicos está aumentando de forma preocupante.

Mesmo sem apresentar dados comparativos com anos anteriores, o diretor de Saúde da PM de Alagoas, coronel Marcelo Oliveira, afirmou que o número de concessão de licenças médicas vem crescendo ano após ano. “Nós percebemos esse crescimento. Nossa tropa está envelhecendo e a maioria dos policiais está na casa dos 40 anos, o que aumenta os problemas”, explicou. Atualmente, 59% dos policiais têm entre 40 e 49 anos.

O alto número fez o comando da PM solicitar um estudo para saber qual motivo está ocasionando o número tão elevado. “Estamos fazendo esse estudo para saber o que pode ser feito para tentar diminuir esse número. Com essa análise podemos pensar um programa de prevenção e ações no sentido de amenizar os problemas antes que eles aconteçam”, disse.

Assim como carência de policiais nas ruas, o corpo médico da PM também está carente. Um dos maiores problemas é a falta de psiquiatras. “Como não temos esse profissional, não podemos contestar nenhum atestado de um psiquiatra. Se chega um documento, temos que aceitar e encaminhar para um psicólogo da corporação”, disse.

Ao todo a corporação tem 24 médicos, sendo apenas três clínicos. “Desses três só um atua no Hospital da PM. Fizemos uma solicitação de três psiquiatras, um angiologista, um otorrinolaringologista e dois ginecologistas, que são especialidades que não temos no nosso quadro. Esses profissionais seriam para termos o mínimo”, afirmou.

Para o presidente da Associação de Oficiais Militares de Alagoas, Wellington Fragoso, a desmotivação e a escala de serviço apertada são os principais motivos do grande número de profissionais fora de serviço. “Há cinco anos que nossa tropa está sem reajuste, que não tem as devidas promoções, que não é valorizada. Hoje, nenhum profissional pode folgar um fim de semana inteiro, porque a escala é apertada para compensar as carências. Quando isso acontece, o sujeito inventa um problema para não ir. Quando se está motivado, o policial vai até doente. Quando não, até unha encravada é motivo de falta”, alegou.

Segundo ele, é comum a associação receber queixas de policiais com problemas de saúde, em especial os psiquiátricos. “Ninguém aguenta um ritmo de trabalho desses sem problemas, como estresse. Enquanto não tivermos contratação, uma escala adequada, não teremos solução”, afirmou Fragoso.

Informado da quantidade de licenças, o promotor de controle da atividade policial, Flávio Gomes, se disse surpreso e informou que vai questionar o comando da PM sobre o número, “que é muito elevado”. “Vou fazer um levantamento sobre essa situação”, garantiu.

Tropa é suficiente, diz vice

Apesar do efetivo da PM estar em 50% do previsto pelo estatuto da corporação (que prevê 16.000 homens), o vice-governador Thomaz Nonô, que solicitou o estudo, afirmou que o número de policiais no Estado é suficiente para atender à demanda de Alagoas e que os maiores problemas da corporação seriam a má distribuição da tropa e o elevado número de licenças médicas.

Segundo informou em nota, “Alagoas tem um policial para cada 368 habitantes [4º maior do Nordeste] e um policial para 3.460 km² [1º no Nordeste]”. Ao mesmo tempo, Nonô disse que é necessário realizar concurso público para suprir a carência de profissionais que se aposentam e se licenciam, além da necessidade de “rejuvenescer” o efetivo.

Fonte: UOL

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