Crato – CE: Romaria ao Caldeirão lembrou a luta dos sem terra

Antônio Vicelmo Foto: Normando Sóracles

Representações das Comunidades Eclesiais de Bases de 70 municípios do Ceará, seis padres e dois mil romeiros participaram ontem da 11ª Romaria ao Caldeirão do beato José Lourenço que lembrou os 74 anos da primeira tentativa de destruição da comunidade religiosa que reunia cerca de 2.000 seguidores do beato. A segunda ocorreu no mês de maio do ano seguinte, na Mata dos Cavalos, em cima da serra do Araripe, em Crato, quando a comunidade foi destruída por forças policiais.

Este ano , a manifestação religiosa foi realizada dentro do espírito da Campanha Fraternidade que tem como tema “Vida em Primeiro Lugar”. Dentro deste contexto, a romaria deu continuidade ao “Grito dos Excluídos” com a votação do plebiscito Popular pelo Limite da Propriedade da Terra. A consulta faz duas perguntas: “Você concorda que as grandes propriedades de terra no Brasil devem ter um limite máximo de tamanho?” e “Você concorda que o limite das grandes propriedades de terra no Brasil possibilita aumentar a produção de alimentos saudáveis e melhorar as condições de vida no campo e na cidade?”
Para o padre Vileci Basílio Vidal a experiência socialista promovida pelo beato José Lourenço , que liderou uma comunidade onde tudo era compartilhado, é um exemplo de resistência dos camponeses que, naquela época se rebelaram contra as autoridades e o poder político dominante. Ao citar a mudança ocorrida no Caldeirão, quando um grupo de camponeses transformou a terra árida, inóspita, no celeiro agrícola do Cariri.

Vileci destacou que o Caldeirão foi um exemplo de convivência com o semiárido e alfinetou os políticos presentes, advertindo que a comunidade liderada pelo beato José Lourenço não era dominada pelo dinheiro, ou por um par de sandálias. “Apesar de pobres, humildes, eles resistiram ao assédio dos políticos. A comunidade acreditava que Deus está ao lado do pobre e não aceita que os humildes sejam lesados”.

O sacerdote pediu aos romeiros que tirassem as alpercatas e os chinelos e colocassem os pés ou as mãos naquela “chão sagrado” para receberem as energias deixadas pelo beato. Minutos antes este gesto tinha sido cumprido pela romeira Francisca de Assis dos Santos , natural de Potengi. Ela justificou que “aquela água é sagrada. A gente tendo fé, pode ser curada de qualquer doença”.

Vaqueiro

A missa do Caldeirão foi aberto com um aboio do vaqueiro Raimundo Procópio, que liderou um grupo de cavaleiros que veio do sitio Correntinho para a cerimônia. O grito do vaqueiro ecoou nos grotões do Caldeirão, anunciando o inicio do ato religioso. Depois do aboio, Procópio emendou com o seguinte verso: Com meus amigos vaqueiros/ eu custei, mas eu cheguei/Moro num canto esquisito/ um lugar muito bonito que nem o nome eu não sei.

Assentamento. A maioria dos presentes eram pessoas humildes, gente sofrida, que ainda hoje luta por um pedaço de terra para trabalhar. Um deles, era Francisco Agostinho que veio do Assentamento 10 de abril. Agostinho lembra que no dia 10 de abril de 1991, 180 famílias tentaram ocupar o Caldeirão para repetir a mesma experiência do beato José Lourenço. No entanto, o Governo do Estado ofereceu outra área nas proximidades para onde os camponeses foram deslocados.

Exemplo

Hoje, o assentamento é um exemplo de organização comunitária. Atualmente, 47 famílias revivem o sonho coletivo de produção idealizado por José Lourenço As famílias mantém uma horticultura orgânica produz milho, feijão e arroz para o auto-abastecimento e cria gado de leite para o consumo da comunidade. Parte dos homens também mantém um produtivo apiário, que contribui para os rendimentos do grupo. A diferença , segundo Agostinho, é que no assentamento não há uma liderança isolada. Os líderes se revezam no comando da Cooperativa que administra o setor financeiro.

O Caldeirão de Santa Cruz do Deserto foi um dos movimentos messiânicos que surgiu nas terras no Crato, Ceará. A comunidade era liderada pelo paraibano de Pilões de Dentro, José Lourenço Gomes da Silva, mais conhecido por beato José Lourenço. No Caldeirão, os romeiros e imigrantes trabalhavam todos em favor da comunidade e recebiam uma quota da produção. A comunidade era pautada no trabalho, na igualdade e na Religião. No Caldeirão cada família tinha sua casa e órfãos eram afilhados do beato. Na fazenda também havia um cemitério e uma igreja, construídos pelos próprios membros. A comunidade chegou a ter mais de mil habitantes. Com a grande seca de 1932, esse número aumentou, pois lá chegaram muitos flagelados. Em 1936, sem a proteção de Padre Cícero, que falecera em 1934, a fazenda foi invadida, destruída, e os sertanejos divididos, ressurgindo novamente pela mata em uma nova comunidade, a qual em 11 de maio foi invadida novamente, mas dessa vez por terra e pelo ar, quando aconteceu um grande massacre, com o número oficial de 400 mortos. Os familiares e descendentes dos mortos nunca souberam onde os corpos foram enterrados.

2 responses to “Crato – CE: Romaria ao Caldeirão lembrou a luta dos sem terra

  1. isso tudo e muito lindo estao tudos de parabens isso ai vileci

  2. DENÚNCIA: SÍTIO CALDEIRÃO, O ARAGUAIA DO CEARÁ – UMA HISTÓRIA QUE NINGUÉM CONHECE PORQUE JAMAIS FOI CONTADA

    “As Vítimas do Massacre do Sítio Caldeirão
    têm direito inalienável à Verdade, Memória,
    História e Justiça!” Otoniel Ajala Dourado

    O MASSACRE DELETADO DOS LIVROS DE HISTÓRIA

    No município de CRATO, interior do CEARÁ, BRASIL, houve um crime idêntico ao do “Araguaia”, foi a CHACINA praticada pelo Exército e Polícia Militar em 10.05.1937, contra a comunidade de camponeses católicos do SÍTIO DA SANTA CRUZ DO DESERTO ou SÍTIO CALDEIRÃO, cujo líder religioso era o beato “JOSÉ LOURENÇO GOMES DA SILVA”, paraibano negro de Pilões de Dentro, seguidor do padre CÍCERO ROMÃO BATISTA, encarados como “socialistas periculosos”.

    O CRIME DE LESA HUMANIDADE

    O crime iniciou-se com um bombardeio aéreo, e depois, no solo, os militares usando armas diversas, como metralhadoras, fuzis, revólveres, pistolas, facas e facões, assassinaram na “MATA CAVALOS”, SERRA DO CRUZEIRO, mulheres, crianças, adolescentes, idosos, doentes e todo o ser vivo que estivesse ao alcance de suas armas, agindo como juízes e algozes. Meses após, JOSÉ GERALDO DA CRUZ, ex-prefeito de Juazeiro do Norte/CE, encontrou num local da Chapada do Araripe, 16 crânios de crianças.

    A AÇÃO CIVIL PÚBLICA PROPOSTA PELA SOS DIREITOS HUMANOS

    Como o crime praticado pelo Exército e Polícia Militar do Ceará é de LESA HUMANIDADE / GENOCÍDIO é IMPRESCRITÍVEL conforme legislação brasileira e Acordos e Convenções internacionais, a SOS DIREITOS HUMANOS, ONG com sede em Fortaleza – CE, ajuizou em 2008 uma Ação Civil Pública na Justiça Federal contra a União Federal e o Estado do Ceará, requerendo: a) que seja informada a localização da COVA COLETIVA, b) a exumação dos restos mortais, sua identificação através de DNA e enterro digno para as vítimas, c) liberação dos documentos sobre a chacina e sua inclusão na história oficial brasileira, d) indenização aos descendentes das vítimas e sobreviventes no valor de R$500 mil reais, e) outros pedidos

    A EXTINÇÃO SEM JULGAMENTO DE MÉRITO DA AÇÃO

    A Ação Civil Pública foi distribuída para o Juiz substituto da 1ª Vara Federal em Fortaleza/CE e depois, para a 16ª Vara Federal em Juazeiro do Norte/CE, e lá em 16.09.2009, extinta sem julgamento do mérito, a pedido do MPF.

    RAZÕES DO RECURSO DA SOS DIREITOS HUMANOS PERANTE O TRF5

    A SOS DIREITOS HUMANOS apelou para o Tribunal Regional da 5ª Região em Recife/PE, argumentando que: a) não há prescrição porque o massacre do SÍTIO CALDEIRÃO é um crime de LESA HUMANIDADE, b) os restos mortais das vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO não desapareceram da Chapada do Araripe a exemplo da família do CZAR ROMANOV, que foi morta no ano de 1918 e a ossada encontrada nos anos de 1991 e 2007;

    A SOS DIREITOS HUMANOS DENUNCIA O BRASIL PERANTE A OEA

    A SOS DIREITOS HUMANOS, como os familiares das vítimas da GUERRILHA DO ARAGUAIA, denunciou no ano de 2009, o governo brasileiro na Organização dos Estados Americanos – OEA, pelo DESAPARECIMENTO FORÇADO de 1000 pessoas do SÍTIO CALDEIRÃO.

    QUEM PODE ENCONTRAR A COVA COLETIVA

    A “URCA” e a “UFC” com seu RADAR DE PENETRAÇÃO NO SOLO (GPR) podem localizar a cova coletiva, mas não o fazem porque para elas, os fósseis de peixes do “GEOPARK ARARIPE” são mais importantes que as vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO.

    A COMISSÃO DA VERDADE

    A SOS DIREITOS HUMANOS em julho de 2010 passou a receber apoio da OAB/CE pelo presidente da entidade Dr. Valdetário Monteiro, nas buscas da COVA COLETIVA das vítimas do Sítio Caldeirão, e continua pedindo aos internautas divulguem a notícia, bem como a envie para seus representantes no Legislativo, solicitando um pronunciamento exigindo do Governo Federal a localização da COVA COLETIVA das vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO.

    Paz e Solidariedade,

    Dr. Otoniel Ajala Dourado
    OAB/CE 9288 – 55 85 8613.1197
    Presidente da SOS – DIREITOS HUMANOS
    Editor-Chefe da Revista SOS DIREITOS HUMANOS
    Membro da CDAA da OAB/CE
    http://www.sosdireitoshumanos.org.br
    sosdireitoshumanos@ig.com.br
    http://twitter.com/REVISTASOSDH
    http://revistasosdireitoshumanos.blogspot.com

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